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ProjetarSE inova com uso da metodologia BIM

O Núcleo de Apoio Técnico e Desenvolvimento Municipal que vem ajudando os municípios sergipanos a destravar projetos para a realização de obras públicas surgiu com a marca da inovação. No trabalho em equipe, a Diretoria de Arquitetura, Urbanismo e Engenharia do Projetar.SE utiliza a tecnologia BIM (Building Information Modeling), que em português significa Modelagem da Informação da Construção. Trata-se de uma metodologia que integra o processo multidisciplinar de produção entre os diversos setores envolvidos na confecção dos projetos de construção, favorecendo um ambiente colaborativo. 

Neste caminho, a Gestora de Modelagem do Projetar.SE e Professora na Zigurat Global Institute of Technology - INBEC/UFS, Caroline Cabral, explica que, ao trabalhar com a metodologia BIM, o ProjetarSE inova uma cultura de trabalho. Isso porque BIM não diz respeito a um software específico, mas sim a uma transformação digital que caracteriza a indústria 4.0, com novos processos compartilhados, novas políticas e tecnologias.

“O BIM não é um software, é uma cultura de trabalho, em que nós passamos do desenho do 2D, de uma engenharia sequencial para uma engenharia simultânea. Isso significa que os profissionais acabam por trabalhar muito mais juntos uns com os outros, colaborativamente. A gente agora trabalha num modelo tridimensional em que temos informações simultâneas dentro desse modelo, por isso que se chama modelagem da informação e isso acaba por facilitar muito a integração entre os profissionais”, pormenoriza a arquiteta, ao descrever o método de trabalho.

Ela conta ainda que, assim, torna-se mais fácil discutir antecipadamente os conflitos que possam existir, resolvê-los também, com o auxílio de ferramentas, que antes não possuíam e, devido a essa metodologia, extrair informações mais rapidamente e mais cedo no percurso do projeto. Nesta modelagem é possível evitar custos adicionais por dificuldades que seriam expostas apenas na fase de execução da obra, atrasando cronogramas e supervalorizando os custos de uma construção.

De acordo com Caroline Cabral, o BIM é usado desde a concepção de um projeto, quando é possível trabalhar com formas e volumetrias ainda muito cruas. Ele também pode acompanhar todo ciclo de vida de um empreendimento, inclusive na fase de operação e manutenção de um edifício, com o acesso ao modelo e aos elementos que estão dentro do modelo. Dessa forma, é possível, por exemplo, clicar e saber que um ar condicionado foi fabricado por determinada empresa, foi instalado numa determinada data e fazer essa integração também com algum sistema de gestão e de manutenção. 

“O BIM gerencia todo o ciclo de vida de um empreendimento, do planejamento até a obra. O grande gargalo de um projeto é a compatibilização. No processo tradicional começa com a arquitetura. O engenheiro não acompanha desde o início, depois recebe o projeto e não há uma interação, muito menos na fase de obra. Com o BIM, há uma possibilidade de coordenação maior, não precisa esperar que o projeto esteja mais avançado para haver essa compatibilização entre as disciplinasi”, conclui a arquiteta. 

O ProjetarSE vem construindo parcerias para a difusão da metodologia entre os profissionais de arquitetura e engenharia civil de Sergipe. Neste sentido, já estabeleceu um termo de cooperação com o CREA/SE. “O BIM é o futuro. Ninguém vai conseguir fazer um projeto que não seja nessa metodologia. Já existe lei Federal exigindo. Vamos começar a fazer eventos e formações sobre este tema para nossos profissionais”, disse Jorge Roberto Silveira, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe. 

BIM nas obras públicas

Em abril de 2020 o Governo Federal publicou um decreto no qual consta a obrigatoriedade do uso de BIM. O decreto nº 10.306 determinou que a partir de janeiro de 2021 fosse iniciada a primeira fase de implementação dessa tecnologia. As duas fases seguintes foram programadas para entrar em execução em 2024 e 2028. 

De acordo com o decreto, a primeira fase teve início com a exigência da aplicação do BIM em todos os projetos de arquitetura e engenharia destinados a realizar novas construções ou ampliar e reformar as obras já existentes. Outro cenário no qual a metodologia se tornou exigência é na detecção de interferências, na extração de quantitativos e na geração de documentação gráfica a partir desses modelos. 

Já em 2024, será exigido que o BIM seja utilizado também na execução de obras públicas. Os modelos deverão contemplar algumas etapas da obra, como o planejamento de execução, a orçamentação e a atualização dos modelos e suas informações como construído.

A última fase, que entra em vigor a partir de janeiro de 2028, abrange todo o ciclo de vida da obra, considerando as atividades do pós-obra. Dessa forma, será aplicado pelo menos em todas as construções novas, reformas, ampliações e reabilitações, quando classificadas como de média ou grande relevância. Além dos usos previstos na primeira e na segunda fase, também deverá ser aplicado nos serviços de gerenciamento e na manutenção dos empreendimentos após a conclusão da obra.

Dentro da Estratégia BIM BR, instituída por meio do Decreto nº 9.377, de 17 de maio de 2018, o Governo Federal disponibiliza a Plataforma BIM BR, com uma biblioteca para referência nacional, que abriga guia de conteúdo, normas e regulamentos, tudo desenvolvido e criado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). 

Segundo o Ministério da Economia, para o setor público, potencialmente, a Modelagem da Informação da Construção traz maior economicidade para as compras e maior transparência aos processos licitatórios, além de contribuir para a otimização de processos de manutenção e gerenciamento de ativos. Dados da ABDI mostram que, até agora, 9,2% das empresas do setor da construção já implantaram o uso do BIM em sua rotina de trabalho, o que corresponde a 5% do PIB da Construção Civil. 


 

25/05/2022 15:30:00.
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